Dizem que estou com depressão mas tô doente é por saber demais.
Vejo o que não quero, o que não devo e não consigo parar de olhar. A consequência é isto, uma reação resposta de rejeição e umas das faces do que dizem "depressão": se isolar. Não é uma escolha, é simplesmente romper o lacre e não poder tampar novamente os sentidos da realidade. É perceber os pedidos de socorro transfigurados em sorrisos. A busca por atenção em frases soltas. Os dentes de um vampiro, vestido de amigo, a te espreitar. Pessoas usando máscaras, tentando ser o que não são para se sentirem amadas. A era das redes sociais e da promessa de uma popularidade instantânea que a de ser projetada no real. Era das barreiras reais, dos desenganos, das desilusões, do egoísmo, da falta de aproximação. Vai ver depressão é somente isto. Ver o que todos lutam para ignorar entre os detalhes do dia-a-dia se tornar tão aparente.
E é muita informação com que lidar. Aí está o problema. Dar de cara com uma nova realidade, da qual tu não sabe nada, não poder partilha-lá com ninguém pois apesar de abranger a todos, exige um desprendimento particular sem garantias e que não se deixa explicar, e ainda ter de digerir tudo e encontrar uma maneira de agir. É doença. Mas doença da informação. Não é como os médicos definem 'ficar deprimido e deixar uma tristeza imensa tomar conta de si sem explicação e sem vontade de reagir'. Isso é desdobramento mas não é causa. Depressão é acima de tudo consciência. Mas como tudo na vida, tem um lado positivo. Incentiva a uma introspecção incrível. É um tempo voltado pra ti com uma nova forma de pensar o mundo, livre de visões projetadas e artifícios vulgares. Não é ter que provar algo para alguém e nem é preciso chegar a algum resultado -desde que consiga se entender num mundo com uma lente. É um tempo com muitas possibilidades e com chances únicas. Se adminitrar, dá para otimizar. Quem sabe até ajudar alguém. Estou nesse caminho, vamos ver onde leva a próxima curva.
E eu sou assim, otimizo até a depressão.
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