-Triiiiiim, Triiiiiim, Triiiiiim.
O despertador
da rotina toca incessante, como se o fim do mundo estivesse próximo e fosse
preciso gastar todo a sua bateria até lá – questão de vida. Como num gesto
automático, ela estica o braço até encontrar aquele pequeno vilão e por fim à
sua alegria; ou desespero.
“Que
horas são? Esse relógio só pode estar errado.”. O sono ainda habita o seu corpo.
A preguiça não se despediu, a recém chegou pra festa. Seu corpo dói, seus
músculos doem, até sua alma dói. Mas não é uma dor ruim, é uma dor ótima. Dor de
quem expulsou suas inibições sem dó; de quem abriu aquela caixinha, trancada a
sete chaves num cantinho do consciente, repleta de segredos; dor de quem não
ficou com peso na consciência e se entregou sem medos e ressalvas.
Ela
sorri. Sente seu cabelo mais emaranhado que o habitual. Sente o ar frio da
manhã a fazer cócegas na sua pele. É hora de acordar. Mas seu corpo não responde
apenas seus olhos vencem a batalha. Ao seu lado, ele dorme tranquilo. Parece
sonhar, está longe daqui, a realidade não o alcança mais.
Sua
face está serena, nem parecem os mesmos traços de horas atrás. Mas é ele sim,
quem mais poderia ser? Ele que a desvendou a muito mais tempo, que conheceu seu
lado mais obscuro e não fugiu; que em meio ao caos da rotina e compromissos
ofereceu um café quente e um ouvido atento.
Os
primeiros raios de sol a entrar pela fresta da janela já tocam seus rostos. Ela
inspira profunda e demoradamente. Ah, como é boa essa sensação. Como é eterno
esse momento. O mundo lá fora que espere. Aqui ainda há muito que amar.