28 de jun. de 2015

Amanheceu lá fora

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-Triiiiiim, Triiiiiim, Triiiiiim.
O despertador da rotina toca incessante, como se o fim do mundo estivesse próximo e fosse preciso gastar todo a sua bateria até lá – questão de vida. Como num gesto automático, ela estica o braço até encontrar aquele pequeno vilão e por fim à sua alegria; ou desespero.
                “Que horas são? Esse relógio só pode estar errado.”. O sono ainda habita o seu corpo. A preguiça não se despediu, a recém chegou pra festa. Seu corpo dói, seus músculos doem, até sua alma dói. Mas não é uma dor ruim, é uma dor ótima. Dor de quem expulsou suas inibições sem dó; de quem abriu aquela caixinha, trancada a sete chaves num cantinho do consciente, repleta de segredos; dor de quem não ficou com peso na consciência e se entregou sem medos e ressalvas.
                Ela sorri. Sente seu cabelo mais emaranhado que o habitual. Sente o ar frio da manhã a fazer cócegas na sua pele. É hora de acordar. Mas seu corpo não responde apenas seus olhos vencem a batalha. Ao seu lado, ele dorme tranquilo. Parece sonhar, está longe daqui, a realidade não o alcança mais.
                Sua face está serena, nem parecem os mesmos traços de horas atrás. Mas é ele sim, quem mais poderia ser? Ele que a desvendou a muito mais tempo, que conheceu seu lado mais obscuro e não fugiu; que em meio ao caos da rotina e compromissos ofereceu um café quente e um ouvido atento.
                Os primeiros raios de sol a entrar pela fresta da janela já tocam seus rostos. Ela inspira profunda e demoradamente. Ah, como é boa essa sensação. Como é eterno esse momento. O mundo lá fora que espere. Aqui ainda há muito que amar.
 

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